Entre Gesto e Matéria: Criar como Forma de Amar

Entre Gesto e Matéria:
Criar como Forma de Amar

Há formas de amor que não se dizem. Permanecem no gesto, no tempo dedicado à matéria e na atenção silenciosa necessária para criar.
A exposição Entre Gesto e Matéria: Criar como Forma de Amar reúne a pintura de Teresa Mendonça e a escultura de Aida Sousa Dias num diálogo onde o fazer artístico surge como prática de cuidado, escuta e transformação. Mais do que representar o amor, estas obras revelam-no no próprio processo de criação: na insistência do gesto, na relação com os materiais e na construção paciente da forma.
Entre superfície e volume, leveza e densidade, transparência e permanência, as artistas exploram diferentes modos de relação com a matéria. A pintura de Teresa Mendonça constrói-se através da cor, da luz e da intuição, num processo onde a obra emerge gradualmente, sem uma imagem prévia que determine o percurso. As suas composições abstratas afirmam-se como espaços de energia, contemplação e descoberta, onde o gesto pictórico permanece aberto ao inesperado.
Na escultura de Aida Sousa Dias, a matéria torna-se presença física e território simbólico. Pedra e bronze revelam formas fragmentadas, corpos híbridos e figuras suspensas entre o humano e o imaginário, numa investigação contínua sobre transformação, memória e permanência. O diálogo com o material assume aqui um papel central: a forma não é imposta, mas descoberta através da escuta e da negociação com a própria matéria.
Mais do que um encontro entre pintura e escultura, Entre Gesto e Matéria propõe uma reflexão sobre o ato de criar enquanto forma de relação com o mundo. Um gesto de entrega e partilha, onde o amor deixa de ser tema para se afirmar como condição de possibilidade da própria obra.
Com curadoria de Ana Cristina Baptista, a exposição convida o visitante a percorrer um conjunto de obras onde pintura e escultura dialogam através da cor, da forma e da matéria. Entre gestos, superfícies e volumes, o processo criativo revela-se como um espaço de descoberta e partilha, cuja disponibilização ao mundo se transforma numa generosa forma de amor.


Sobre as artistas

Teresa Mendonça (Ponta Delgada, Açores, 1948)
Com um percurso consolidado ao longo de várias décadas, Teresa Mendonça desenvolve uma prática pictórica centrada na abstração, explorando a cor, a luz e o gesto como elementos estruturantes da sua linguagem visual. A sua obra constrói-se num equilíbrio entre intuição e pensamento, onde cada pintura surge como espaço de descoberta e transformação.
Com formação em artes visuais, recebeu aulas de pintura do Mestre Domingues Rebêlo.
Enveredou pela pintura, referenciando-se na obra do Mestre Hilário Teixeira Lopes, da qual recebeu um forte influência.
Representada pelo MAC – Movimento de Arte Contemporânea, em Lisboa, desde 1996, tem vindo, através desta instituição cultural, a realizar dezenas de exposições, no país e no estrangeiro, com especial incidência nos países lusófonos, nomeadamente no Brasil, Cabo Verde e Guiné-Bissau.
Ao longo deste percurso, colaborou com diversos municípios, embaixadas e outras entidades, das quais se destacam a Sociedade de Língua Portuguesa, o Centro Cultural da Embaixada de Portugal em Cabo Verde, na cidade da Praia, o Centro Cultural da Embaixada de Portugal na Guiné-Bissau, a participação na inauguração da Reitoria do Instituto Politécnico de Lisboa e várias Câmaras Municipais do continente e das ilhas, sempre sob a égide do Movimento de Arte Contemporânea.


Aida Sousa Dias (Lisboa, 1950)
Escultora com um percurso reconhecido no panorama artístico português, Aida Sousa Dias desenvolve um trabalho profundamente ligado à matéria, à figura humana e à dimensão simbólica da forma. Em pedra e bronze, as suas esculturas investigam temas como memória, metamorfose, corpo e permanência.
Licenciada em Escultura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (1981) e Mestre em Ciências e Teorias da Arte (2000). Dedicou-se à investigação da Cerâmica Antiga Portuguesa entre 1976 e 1987 e começou a expor na Sociedade de Belas-Artes, em 1976, na exposição de alunos “Novos Novos”.
Realizou, até à data (2026), 43 exposições individuais de escultura e participou em inúmeras coletivas em Portugal e no estrangeiro. É autora de vários textos e prefácios em catálogos de arte e colaborou na revista Oeiras com artigos sobre artistas do concelho.
Tem dois livros publicados: “A Cerâmica de Rafael Bordalo Pinheiro”, Lello & Irmão Editores, 1987, reeditado em 2009 e considerado um dos melhores livros publicados em Portugal sobre a cerâmica portuguesa; e “A Figura da Mulher na Escultura dos Anos Cinquenta ” tese que foi discutida na Faculdade Belas-Artes de Lisboa em 1999 e publicada em livro pela Câmara Municipal de Oeiras em 2001. Colaborou no livro “As Mulheres e a Cultura “, numa edição da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2021.
Está representada em diversas coleções institucionais e privadas em Portugal, Espanha, Alemanha, Inglaterra e França. Embora nunca participe em concursos, foi eleita pela revista “Marie Claire” uma das Mulheres do Ano de 1988 e recebeu a Medalha de Mérito, Grau Prata, da Câmara Municipal de Oeiras.

Obras disponíveis

AZOREAN DREAM
Entre o Gesto e a Paisagem

Catálogo da exposição 

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